Domingo de Ramos. Homília

Naquela manhã dominical, d’um Abril primaveril, ao som do gorgeio das aves, saíu o Senhor da casa amiga  de Marta e da Maria. Ou seria de Simão o leproso? Talvez da casa de campo de Gethsemani, onde O iremos encontrar à santa mesa, na próxima quinta-feira.

Uma numerosa multidão encaminhava-de, de madrugada, para a estrada de Betânia, a fim de ouvir Jesus. Não se falava de outra coisa a não ser dos seus milagres: dos cegos da Jericó e, sobretudo da ressureição do seu amigo Lázaro, já em decomposição.

Jesus por sua vez, dirigia-se para Jerusalem. Ia pela vereda verdejante do monte das Oliveiras, para atingir um povoado cujo nome era Betfagé (ou seja a casa dos figos). O Senhor parou. É nessa ocasião que Jesus Cristo tem um gesto cujo alcance não foi logo compreendido, nem pelos seus descipulos, nem pela turba que o seguia; mas que os santos evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João o sublinham nos seus Evangelios. Chamou dois dos seus discipulos e ordinou-lhes: “Ide à aldeia que está defronte, e aí, ao entrar, achareis preso um jumentinho, em que nenhum homem ainda se assentou. Soltai-o e trazei-o. E, se alguém vos perguntar: “Porque o soltais?”, assim direis: “Porque o Senhor precisa dele” (Lucas, XIX, 30-31).

Tal escolha ía de encontro ao pensamento religioso do Velho Testamento: o burro era o símbolo da paz, humildade, doçura e da vida campestre do homem; do mesmo modo que o cavalo – o puro sangue, como hoje o classificamos, – era o s´mbolo da luxuria, da vaidade e da guerra e rapina. E era para que comprisse a professia: “Alegra-te muito, ó filha de Sião, exulta, ó filha de Jerusalem: eis que o teu rei virá a tí, justo e salvador, pobre, e montado sobre um jumento, sobre um asninho, filho de jumenta” (Zacarias, IX, 9). Era portanto um sinal messiânico que Ele desejava dar.

Os fariseus esperavam que Jesus fosse pela Pascoa a Jerusalem; mas discretamente como era seu costume. E, eis que Ele chegava Triunfador entrando pela porta Dorada na cidade, por ser, talvez, a mais perto do Templo.

Mas um soluço subiu dentro dele, na expressão forte do termo grego empregado por São Lucas. O Senhor profetizou: “Ah, Jerusalem! Se ao menos neste dia, que te é oferecido, soubesses o que poderia trazer-te paz! Porém isto agora está encoberto aos teus olhos. Porque virão para tí dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão, te apertarão por todos os lados, te deitarão por terra e aos teus filhos que estão dentro de tí, e não deixarão em ti pedra sobre pedra porque não conheceste o tempo em que foste visitada” (Cf. Lucas, XIX, 42-44). Extranhas e misteriosas palavras; Jesus não  as explicou. Mas, eis que ao som melodioso de uma marcha triunfal de milhares e milhares vozes, donde sobressaiam as vozes infantis, puras e cristalinas das crianças, aclamando-O: “Hosanna! Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel! Furiosos os fariseus, disseram: “Mestre, manda calar os teus devotos. O Senhor respondeu-lhes sómente isto: “Se êles se calarem, as próprias pedras me aclamarão” (Cf. Lucas, XIX, 39-40).

As palmeiras em suas mãos não eram estandartes de guerra; mas sim o símbolo máximo de santidade futura: o martirio. Irmãos, meditamos um momento… Seremos nós capazes de o atingir?

Irmãos, dentro de momento todo o nosso ser em comunhão de verdadeira fé, alegremos o Senhor Jesus Cristo, aclamando-O: “Hosanna, hosanna nas alturas! Bendito seja que vem em nome do Senhor!”

Assim seja.

Monge Filipe (Ribeiro),

Domingo de Ramos, 2011.

Homília no Domingo da Santa Cruz

Se durante a primeira parte da Quaresma, o nosso esforço foi centrado sobre a nossa própria purificação, é-nos dado agora de realizar que essa mesma não seja um fim; mas deva-nos conduzir à contemplação, à compreenção e à apropriação do mistério da Cruz.

O próprio Senhor nos ensina, neste Evangelho de S. Marcos, com as seguintes palavras:- “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e toma a sua cruz, e siga-me” (Marcos 8:34).

Irmãos em Crisro, disse-vos na homília do ano passado e repito-o novamente: não pudemos seguir a Cristo, se não tivermos a Sua Cruz, aquela que Ele carregou para nos salvar. É a Sua Cruz e não as nossas, (por mais pesadas e sofridas que elas sejam), que nos salvarão.

Com veneração escutemos êste extracto de uma homília, – que traduzi, – de São Simeão o Novo Teólogo:

“Para os cristãos, a Cruz é magnificência, glória, poder: de facto todo o poder deriva d’aquela na qual foi crucificado; todo o nosso pecado e a nossa propensão para pecar são mortificados  pela morte de Cristo sobre a Cruz. Toda a nossa exaltação, toda a nossa glória reside na humildade de Deus que se humilha Ele mesmo a desejar morrer entre malfeitores e ladrões. É por essa razão que os cristãos que crêem fazem o sinal da Cruz, não de uma manheira banal, distraída; mas sim com cuidado, com grande sagacidade d’espírito, com temor e tremor, com extremo respeito; porque a imagem da Cruz é o sêlo da reconciliação, da renovada amizade entre Deus e os homens. É por isso que os próprios demónios, êles mesmo, temem a imagem da Cruz e não podem suportar o sinal da Cruz, mesmo esboçado no ar, êles fogem imediatamente, sabendo que a Cruz é o sinal da amizade entre Deus e os homens e que êles , anjos apostadas, inimigos de Deus, banidos para longe da Sua face, não têem mais a liberdade de se aproximar nem de tentarem aqueles que estão reconciliados com Deus, e que se uniram a Ele. E se os maus anjos parece tentar certos cristãos, compreendamos que êles lutam contra aqueles que verdadeiramente não se apoderaram do sublime Mistério da Cruz. De facto, aqueles que compreenderam esse Mistério, que fizeram a experiência  da autoridade e do poder da Cruz sobre os demónios, sabem bem que a Cruz mune as suas almas de força, de poder, de convicção e de sabedoria divinas. Em sua grande alegria, êles exclamam:- “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na Cruz do nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gálatas 6:14)”.

O sinal da Cruz, é portanto neste ponto grande e formidável; todo o cristão deve-o fazer com temor e tremor, respeito, fervor e não de maneira banal, rotineira, despachada, sabendo que é na proporção do respeito, que êle testemunhar perante a Cruz que obterá a força e o socorro de Deus. A Ele seja dada toda a glória e domínio para sempre. Amen.

 

Monge Filipe (Ribeiro),

paróquia de Todos os Santos, Lisboa.

Domingo da Santa Cruz, Quaresma 2011.

Homília sobre Mt XXV, 31-46

São João Clímaco, em uma das suas homílias escreveu o seguinte: “Já vi quem cometia em segredo e fora da vista dos homens os mais abomináveis pecados e seguro da sua pretendida pureza, investia asperamente aqueles que cometiam pecadinhos mas à vista de todos”. Sim, irmãos, é muito mais fácil ver os defeitos do nosso próximo, do que fazermos um esforço de nos conhecermos a nós próprios. Por essa razão a Igreja na sua misericórdia nos vai preparando com os exemplos das leituras evangélicas para melhor entrarmos no tempo quaresmal.

 Aquele que toma consciência das suas faltas guarda a sua língua; mas o linguareiro não se conhece como ele devia ser.

 Se Deus, Ele próprio não julga as pessoas, segundo as Escrituras, mas confia todo o julgamento ao Filho (João 5:22), e se o Filho de Deus veio à terra para salvar os pecadores, dizendo: “Eu não julgo” (João 8:15), como pudeis vós julgar aqueles que o Senhor deseja salvar? Ele não julga mas mostra-nos a Sua grande misericórdia. Mostrando-nos os Seus ensinamentos evangélicos como “a Sagrada Escritura cresce com quem a lê” (S. Gregório Magno), levando-nos pelo caminho Divino das Suas palavras à eterna salvação.

 Nosso Senhor, interdita-nos de condenarmos os nossos irmãos; mas não delhes fazermos repreensões necessárias. Uma repreensão é muitas das vezes benéfica para chamar o nosso irmão ao bom caminho.

 Sejamos, irmãos, as ovelhas que estão à direita da face de Cristo Salvador e possamos escutar em nossos humildes corações: “Vinde a Mim, benditos de Meu Pai” e não os bodes da esquerda enviados à “Gahena ardente”.

 Amen.

Monge Filipe (Ribeiro).

 

Monge Filipe (Ribeiro),

paróquia de Todos os Santos, Lisboa.

27/II-2011.

Deliberação do Santo Sínodo

Священный Синод постановил Преосвященным Корсунским быть епископу Кафскому Нестору

Pela deliberação do Santo Sínodo, o Arcebispo de Korsun Inocêncio foi nomeado Primaz de Vílnius e da Lituânia. O Sínodo manifestou gratidão ao reverendíssimo Inocêncio pelos serviços arquipastorais prestados às paróquias da Igreja Ortodoxa Russa nos países da Europa Ocidental.

O Bispo de Kafa Nestor, o Vigário da diocese de Korsun, foi nomeado Primaz de Korsun pelo Santo Sínodo e encarregado de prestar serviço arquipastoral às paróquias na Itália.

http://www.egliserusse.eu/Mgr-Nestor-Sirotenko-nouvel-eveque-de-Chersonese_a1035.html

Monge Filipe (Ribeiro) condecorado com o diploma de honra do Governo da Rússia

 3 de Dezembro de 2010

Dia 2 de Dezembro, na Embaixada da Rússia em Portugal, teve lugar a cerimónia de condecoração dos portugueses que contribuíram  para o desenvolvimento da cooperação humanitária internacional; o evento foi organizado pela Agência Federal da Rússia «Rossotrudnitchestvo».

Entre os nobilitados esteve o monge Filipe (Ribeiro), o paroquiano da nossa paróquia.

O irmão Filipe passou a ser cristão ortodoxo no início dos anos 60 do século XX, em França. Hoje em dia, apesar da sua idade considerável, participa activamente na vida da nossa paróquia.

Após a solene cerimónia de condecoração, teve lugar a recepção oferecida pelo Embaixador da Rússia P. F. Petrovskiy.

Na foto: Pavel Petrovskiy, o Embaixador da Rússia em Portugal, e o monge Filipe.

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