A luta pela identidade cristã

Excerto da entrevista com o superior da paróquia de Todos os Santos em Lisboa (Portugal), o pároco Arsénio (Sokolov).

- Como foi o processo de constituição da vossa paróquia e o que representa a comunidade russa ortodoxa em Portugal nos dias de hoje?

A nossa paróquia de Todos os Santos em Lisboa surgiu pela iniciativa dos cristãos ortodoxos, que se instalaram em Portugal, essencialmente imigrantes trabalhadores. Assim aconteceu em toda a Península Ibérica.

Na primavera do ano de 2002, eu fui convidado pelos crentes de Portugal para fazer a missa – confissão e liturgia. Naquele período eu fui o pároco da paróquia em Madrid. Desde então comecei a visitar os crentes regularmente. Já no verão teve o lugar uma assembleia constituinte e foi criada a paróquia sob a presidência do arcebispo Innokentiy Korsunskiy (hoje em dia arcebispo Vilenskiy e Litovskiy).

Em 2003, a pedido de crentes de Portugal, eu fui transferido de Madrid para Lisboa e as missas na capital portuguesa passaram a ser regulares. Durante vários anos nós realizámos as missas em lugares diferentes: na capela da Embaixada da Bulgária, num dos supermercados da cidade, no Mosteiro católico feminino, em casas dos crentes.

Em 2006, por solicitação do antigo embaixador russo Bakhtier Khakimov, a Igreja católica romana de Portugal concedeu-nos para uso gratuito uma das igrejas abandonadas no centro da capital. Nós consertámos tudo o que foi necessário (o local estava vazio desde 1974) e até aos dias de hoje as missas são feitas aqui mesmo. Depois da abertura da nossa paróquia foram abertas outras paróquias nas diferentes cidades portuguesas.

- Qual é a missão que realiza a vossa paróquia em relação aos compatriotas?

- Nós não nos limitamos a fazer missas. Depois das missas há lugar para tomar o chá, para conversar, para realizar os serões juvenis. Ao final do dia – círculo bíblico, cursos de português. Há também escola dominical infantil. Realiza-se um trabalho social: ajudamos às pessoas que passam necessidades e, também, realizamos raids pelos parques e pelas estações para distribuir as sandes aos sem abrigo.

A nossa paróquia apadrinha também três prisões: uma municipal e duas nos arredores de Lisboa. Em cada uma delas estão pessoas ortodoxas. Visito-as regularmente com os meus ajudantes. Juntamente com os cativos rezamos, lemos a Escritura Sagrada, com regularidade realizam-se confissões e liturgias.

- Como é que desenrolam as relações entre a paróquia e os representantes do departamento de política exterior russo em Portugal? 

- As relações desenvolveram-se muito boas. Graças à Embaixada da Federação da Rússia e à filial de Rossotrudnichestvo, regularmente enriquece a nossa biblioteca. Este não é o primeiro ano em que a Embaixada subscreve a nós os periódicos russos, publicações religiosas e científicas. A embaixada e a agência federal Rossotrudnichestvo participam na vida da comunidade, ajudam na realização dos eventos comemorativos e matinées natalícios e pascoais infantis. Seria um pecado queixar-se: neste campo está tudo bem. Agradeço sinceramente ao embaixador da Federação da Rússia em Portugal, Pavel Petrovskiy, e ao representante de Rossotrudnichestvo, Vladimir Shatalin.

- No meio de diásporas russas foi pouco desenvolvida a ajuda mútua. Por que razão aconteceu assim e como é possível superar esta situação do seu ponto de vista?

- Da diáspora russa em Portugal eu não falava assim. Nós aqui temos um Conselho de Coordenação dos Compatriotas e regularmente reunimo-nos para resolver os assuntos relacionados com o apoio aos compatriotas. Não há concorrências entre as organizações dos compatriotas, como acontece nos outros países. Esta união dentro da diáspora russa em Portugal em grande parte deve-se ao secretário executivo do nosso Conselho de Coordenação, Igor Khashin, um homem crente, bondoso e bastante competente.

- A Europa ocidental passa pela descristianização, o que não é nenhum segredo. O mundo ortodoxo, Graças a Deus, não sofre deste mal. Do seu ponto de vista, poderá a Igreja Ortodoxa Russa ou até a Rússia em geral assumir a posição de salvadora da civilização ortodoxa, dos seus valores morais e espirituais? Colocando esta questão, vejo-me obrigado(a) a colocar a seguinte questão: o mundo ocidental contemporâneo tem o desejo de ser salvo?

- Um dos problemas espirituais dos cristãos ortodoxos, que vivem na Europa Ocidental, é recordar-lhe das raízes cristãs e da sua identidade cristã. Esta identidade impetuosamente cai no abismo. A perda pode acabar com o neo-paganismo e barbárie. No século XX a Europa já passou pelas várias formas de transformação das identidades em massas – nazismo na Alemanha, leninismo na Rússia. Só se pode imaginar o que nos espera no século presente, que formas totalitárias pode tomar a descristianização e a desumanização, tendo em conta o seu potencial tecnológico. 

O totalitarismo é sempre possível. Porém, nós, cristãos europeus, não temos que nos apavorar deste facto: a verdade está connosco, o Deus está connosco. Os nossos aliados fiéis na defesa dos valores cristãos são rimo-católicos. Hoje todos compreendem isto. Compreendem isto também os católicos e vêm em nós aliados na luta com a descristianização e desumanização, na luta pela defesa da identidade cristã dos europeus. Na luta pela Europa.

 

http://prt.rs.gov.ru/pt-pt/node/490

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