Setúbal recebe Igreja Ortodoxa

A cedência de um terreno pela Câmara Municipal de Setúbal à Comunidade Ortodoxa Santo Apóstolo Andrei para a construção de uma igreja e de um centro de apoio comunitário foi materializada no dia 17 com a celebração da respetiva escritura.

A escritura da parcela de terreno com 782,20 metros quadrados, localizada na zona do Monte Belo, freguesia de S. Sebastião, foi assinada pela presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, e pelo padre Oleg, da comunidade ortodoxa local.

Esta medida resulta do trabalho desenvolvido pela Autarquia no âmbito da integração das comunidades de imigrantes em Setúbal e no fomento e promoção da multiculturalidade.

No terreno cedido pela Câmara Municipal de Setúbal, a associação Comunidade Ortodoxa Santo Apóstolo Andrei propõe-se a edificar uma igreja e um centro comunitário de apoio com diversas valências.

Os equipamentos a construir, com uma área de integração total de 320 metros quadrados, visam o desenvolvimento de atividades de culto, de apoio à família e de âmbito educativo para crianças da comunidade nascidas em Portugal.

A associação Comunidade Ortodoxa Santo Apóstolo Andrei é uma comunidade religiosa ortodoxa, também designada por igreja, afeta ao Patriarcado de Moscovo, sem quaisquer fins lucrativos e de caráter religioso.

http://prt.rs.gov.ru/pt-pt/node/1142

Cristãos ortodoxos «conquistam» ponto mais ocidental da Europa

http://portuguese.ruvr.ru/radio_broadcast/77226473/217190693/

Cursos gratuitos de russo

A nossa comunidade oferece cursos gratuitos de russo como língua estrangeira.

Os cursos são direcionados principalmente aos filhos de paroquianos que têm dificuldade de aprendizagem da língua russa. As aulas realizam-se aos sábados às 11h30 pela Profª Victoria Mokhova, licenciada pela Faculdade de Filologia da Universidade do Estado de Stavropol (Rússia).

A reunião da assembleia da igreja

No dia 2 de Dezembro de 2012 depois da Divina Liturgia sob a tutela do mestre da congregação o pároco pe. Arsénio assistiu-se à reunião congregacional de apresentação de relatórios e de eleição.

A assembleia elegeu o novo secretário da congregação Marianna Kassianova, que já ocupou este cargo em 2006-2009.

O administrador geral, o administrador, o tesoureiro ficaram nos postos.

Também foi eleita a comissão fiscal nova que é encabeçada por Oleksandr Lenko.

A luta pela identidade cristã

Excerto da entrevista com o superior da paróquia de Todos os Santos em Lisboa (Portugal), o pároco Arsénio (Sokolov).

- Como foi o processo de constituição da vossa paróquia e o que representa a comunidade russa ortodoxa em Portugal nos dias de hoje?

A nossa paróquia de Todos os Santos em Lisboa surgiu pela iniciativa dos cristãos ortodoxos, que se instalaram em Portugal, essencialmente imigrantes trabalhadores. Assim aconteceu em toda a Península Ibérica.

Na primavera do ano de 2002, eu fui convidado pelos crentes de Portugal para fazer a missa – confissão e liturgia. Naquele período eu fui o pároco da paróquia em Madrid. Desde então comecei a visitar os crentes regularmente. Já no verão teve o lugar uma assembleia constituinte e foi criada a paróquia sob a presidência do arcebispo Innokentiy Korsunskiy (hoje em dia arcebispo Vilenskiy e Litovskiy).

Em 2003, a pedido de crentes de Portugal, eu fui transferido de Madrid para Lisboa e as missas na capital portuguesa passaram a ser regulares. Durante vários anos nós realizámos as missas em lugares diferentes: na capela da Embaixada da Bulgária, num dos supermercados da cidade, no Mosteiro católico feminino, em casas dos crentes.

Em 2006, por solicitação do antigo embaixador russo Bakhtier Khakimov, a Igreja católica romana de Portugal concedeu-nos para uso gratuito uma das igrejas abandonadas no centro da capital. Nós consertámos tudo o que foi necessário (o local estava vazio desde 1974) e até aos dias de hoje as missas são feitas aqui mesmo. Depois da abertura da nossa paróquia foram abertas outras paróquias nas diferentes cidades portuguesas.

- Qual é a missão que realiza a vossa paróquia em relação aos compatriotas?

- Nós não nos limitamos a fazer missas. Depois das missas há lugar para tomar o chá, para conversar, para realizar os serões juvenis. Ao final do dia – círculo bíblico, cursos de português. Há também escola dominical infantil. Realiza-se um trabalho social: ajudamos às pessoas que passam necessidades e, também, realizamos raids pelos parques e pelas estações para distribuir as sandes aos sem abrigo.

A nossa paróquia apadrinha também três prisões: uma municipal e duas nos arredores de Lisboa. Em cada uma delas estão pessoas ortodoxas. Visito-as regularmente com os meus ajudantes. Juntamente com os cativos rezamos, lemos a Escritura Sagrada, com regularidade realizam-se confissões e liturgias.

- Como é que desenrolam as relações entre a paróquia e os representantes do departamento de política exterior russo em Portugal? 

- As relações desenvolveram-se muito boas. Graças à Embaixada da Federação da Rússia e à filial de Rossotrudnichestvo, regularmente enriquece a nossa biblioteca. Este não é o primeiro ano em que a Embaixada subscreve a nós os periódicos russos, publicações religiosas e científicas. A embaixada e a agência federal Rossotrudnichestvo participam na vida da comunidade, ajudam na realização dos eventos comemorativos e matinées natalícios e pascoais infantis. Seria um pecado queixar-se: neste campo está tudo bem. Agradeço sinceramente ao embaixador da Federação da Rússia em Portugal, Pavel Petrovskiy, e ao representante de Rossotrudnichestvo, Vladimir Shatalin.

- No meio de diásporas russas foi pouco desenvolvida a ajuda mútua. Por que razão aconteceu assim e como é possível superar esta situação do seu ponto de vista?

- Da diáspora russa em Portugal eu não falava assim. Nós aqui temos um Conselho de Coordenação dos Compatriotas e regularmente reunimo-nos para resolver os assuntos relacionados com o apoio aos compatriotas. Não há concorrências entre as organizações dos compatriotas, como acontece nos outros países. Esta união dentro da diáspora russa em Portugal em grande parte deve-se ao secretário executivo do nosso Conselho de Coordenação, Igor Khashin, um homem crente, bondoso e bastante competente.

- A Europa ocidental passa pela descristianização, o que não é nenhum segredo. O mundo ortodoxo, Graças a Deus, não sofre deste mal. Do seu ponto de vista, poderá a Igreja Ortodoxa Russa ou até a Rússia em geral assumir a posição de salvadora da civilização ortodoxa, dos seus valores morais e espirituais? Colocando esta questão, vejo-me obrigado(a) a colocar a seguinte questão: o mundo ocidental contemporâneo tem o desejo de ser salvo?

- Um dos problemas espirituais dos cristãos ortodoxos, que vivem na Europa Ocidental, é recordar-lhe das raízes cristãs e da sua identidade cristã. Esta identidade impetuosamente cai no abismo. A perda pode acabar com o neo-paganismo e barbárie. No século XX a Europa já passou pelas várias formas de transformação das identidades em massas – nazismo na Alemanha, leninismo na Rússia. Só se pode imaginar o que nos espera no século presente, que formas totalitárias pode tomar a descristianização e a desumanização, tendo em conta o seu potencial tecnológico. 

O totalitarismo é sempre possível. Porém, nós, cristãos europeus, não temos que nos apavorar deste facto: a verdade está connosco, o Deus está connosco. Os nossos aliados fiéis na defesa dos valores cristãos são rimo-católicos. Hoje todos compreendem isto. Compreendem isto também os católicos e vêm em nós aliados na luta com a descristianização e desumanização, na luta pela defesa da identidade cristã dos europeus. Na luta pela Europa.

 

http://prt.rs.gov.ru/pt-pt/node/490

Felicitação pascal do Nestor, bispo de Korsoun

Meus bem-amados no Senhor padres, irmãos e irmãs!

 

Cristo ressuscitou!

 

Na santa noite de Páscoa, pela Sua inefável clemência, o Senhor deixa-nos viver mais uma vez o grande triunfo da vida sobre a morte. Chama-nos às bodas da fé, nas quais tornamo-nos tanto espectadores secretos como participantes da gloriosa Ressurreição dos mortos do osso Senhor Jesus Cristo.

 

Nesta noite santa, chegamos a entender, com a maior clareza, que o Salvador Ressuscitado nos deixou não só ensinamentos e testamentos, mas, antes de tudo, o Seu vivo exemplo e a Sua imagem, ou seja, deixou-nos a Si Próprio. E a Ressurreição de Cristo inclui todas as acções sacrificais, toda a fé, todo o sofrimento pela verdade, toda a coragem e firmeza, todo o amor que se manifestaram na história da humanidade… Enfim, todas aquelas forças espirituais que tantas vezes parecem fracas e irracionais, mas acabam por se revelar mais duras que o ferro e a pedra, mais duradouras que o tempo e mais fortes que a morte.

 

Meus queridos! O navio da Igreja continua a avançar, apesar da imperfeição do mundo que nos rodeia, apesar da hipocrisia e instabilidade moral da sociedade em que vivemos, apesar dos nossos próprios pecados e recaídas. O Nosso Senhor Jesus Cristo veio a este mundo para salvar as pessoas do pecado, da maldição e da morte, e a salvação procede na Igreja. Tomemos consciência de que estamos a bordo desse navio salvador, sejamos cientes de que, junto com Cristo Ressuscitado, nesta noite de Páscoa, glorificamos e rejubilamos a nossa libertação do pecado e a vitória sobre a morte.

 

Boa Páscoa para todos vós, meus caros! Que o júbilo sobre o Nosso Senhor Ressuscitado e a luz da fé genuína permaneçam sempre com todos nós!

 

Cristo ressuscitou! Em verdade ressuscitou!

 

 

                                                            Nestor, o Bispo de Korsoun

                                                             Páscoa Cristã, ano 2012

                                                             Paris

Saudação do Patriarca Kirill

РОЖДЕСТВЕНСКОЕ ПОСЛАНИЕ Святейшего Патриарха Московского и всея Руси Кирилла

 

Reverendíssimos bispos,

venerados padres, monges e monjas amantes de Deus, caros irmãos e irmãs!

 

Nesta festividade, cheia de luz e alegria, de Nascimento segundo a carne do Senhor, Deus e Salvador nosso Jesus Cristo, saúdo-vos a todos cordialmente, meus amados. Nesta noite resplandecente, todos nós repetimos a louvação angelical que prenuncia «novas de grande alegria que será para todo o povo: pois, na cidade de David, nasceu hoje o Salvador» (S. Lucas 2, 10-11).

A Humanidade que renunciou Deus no pecado original recupera a possibilidade de se unir ao seu Criador e Providente. A entrada do Filho de Deus no mundo é a Sua diminuição voluntária até à prontidão de descender à aflitiva e desonrosa «morte, e morte de cruz» (Aos Filipenses 2, 8). Deus nasce segundo a carne para evidenciar o Seu amor aos homens e ajudar a obter a plenitude da existência qualquer pessoa que queira ouvir o Seu chamamento.

É por isso que a festa de hoje nos traz a esperança absoluta de ajuda divina em circunstâncias mais complicadas da nossa vida. Deus que não abandonou a Sua criatura e lhe abriu o caminho para a eternidade foi-nos revelado no Menino Jesus – criança indefesa que necessita de atenção e zelo.

Todos nós devemos guardar esta imagem bíblica nos nossos corações. Recordando Deus Recém-Nascido deitado na manjedoura, obtemos a fé imbatível e a esperança absoluta na Providência Divina que leva qualquer indivíduo ao bem. E mesmo se na nossa vida não resta nenhum arrimo, tudo parece incerto e inseguro, devemos ter consciência clara de que o Senhor é capaz de transformar, com a Sua força abençoante, a nossa dor, o sofrimento e a pobreza do mundo em bem-aventurança, alegria e abundância de dons espirituais.

Na celebração do advento do Salvador, os olhares espirituais dos fiéis dirigem-se para o berço do cristianismo – para a Terra Santa, que teve o merecimento de ser o local de origem, habitação e ministério terrenal do Senhor. Hoje em dia, os seguidores do Cristo nos países em que ocorreram os acontecimentos da História Sagrada vivem provações difíceis, defrontam-se com numerosas ameaças à existência da polissecular tradição espiritual. Nos dias luzentes do Natal, elevemos as nossas devotas orações pelos nossos confrades de fé, guardiões de relíquias inestimáveis, herdeiros da tradição dos primeiros cristãos.

«Se um membro padece, todos os membros padecem com ele» (I aos Coríntios 12, 26). Estas palavras do Apóstolo têm a ver não só com paroquianos da mesma paróquia, com membros da mesma comunidade paroquial, mas também com todos os filhos da Igreja Una, Santa, Universal e Apostólica, da Igreja Ortodoxa espalhada por todo o mundo. A sua união manifesta-se não só através da única fé enraizada na Patrística, através da comunhão dos Sacramentos, mas também através da compaixão pelos que enfrentam dificuldades, da mútua serventia sacrifical, das orações recíprocas.

O ano passado foi complicado para muitos países e muitos povos, inclusive para os que habitam os espaços da Rússia histórica; vários acontecimentos trágicos e cataclismos testaram a nossa fé e firmeza.

No entanto, hoje em dia, as provações essenciais têm lugar não no meio material, mas no espiritual. Os perigos da área física prejudicam o bem-estar fisiológico e diminuem o conforto. Complicando a vida material, estes não são capazes de prejudicar fundamentalmente a vida espiritual. Mas é precisamente a dimensão espiritual que revela o mais importante e sério desafio vital, nos tempos que correm. O tal desafio visa eliminar a moralidade de que Deus dotou a nossa alma. Actualmente, tenta-se convencer um ser humano de que ele e só ele é avaliador da Verdade, de que cada um tem a sua própria verdade e determina por si o que é o Bem e o Mal. A Verdade Divina, bem como os critérios de distinção entre o Bem e o Mal baseados nesta, tenta-se substituir pela indiferença moral e pelo conceito “vale tudo”, que destroem as almas humanas privando-as da vida eterna. Se as catástrofes naturais e as acções militares convertem em ruínas a organização exterior da vida, o relativismo moral corrói a consciência humana fazendo dos indivíduos os inválidos espirituais, distorce as leis Divinas da existência e perturbe a ligação entre a criação e o Criador. 

É a este perigo que devemos fazer frente em primeiro lugar, clamando a ajuda da Sagrada Virgem Maria e da imensidade de santos, para que estes, com a sua protecção junto ao Trono do Verdadeiro e Santo Dominador (Apocalipse 6, 10), que veneramos hoje na imagem do Recém-Nascido, intercedam por nós, clamando forças para lutarmos contra o pecado, «contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, sob os céus» (Aos Efésios 6, 12). É importante aprendermos a distinguir mentiras e miragens do bem-estar terrestre que se manifestam nas nossas paixões de perdição, intenções cobiçosas, nas tentações da publicidade, nos textos divertidos e políticos. É importante ouvirmos sempre a voz da consciência que nos avisa sobre o perigo de pecado, bem como sabermos conciliar as nossas acções com os mandamentos Evangélicos.

Nestes dias e sempre, todos os cristãos são chamados a confirmar, com os seus actos diários, os valores de modo de vida justo, resistindo conscientemente ao relativismo moral e ao culto de lucro rápido. Em nossa volta, há muitas pessoas debilitadas, doentes, solitárias. Há também (e não são poucos) quem abandonou a sua terra natal por causa de dificuldades económicas, à procura de um ganha-pão, e necessita de amparo quando, por vezes, se encontra num ambiente hostil. Todos os sacerdotes e leigos devem participar no trabalho social, missionário, paroquial. Segundo a palavra de São Inocêncio de Khersón: «Só na luz do Cristo o homem consegue ver Deus, o mundo e a si próprio em verdade; só pela indicação da Revelação Celestial é possível encontrar a senda que leva à vida eterna».

 

Devemos partilhar o calor e a alegria da festa de hoje com aqueles que anseiam pela consolação do Cristo. Cada um de nós pode levar a luz da estrela de Belém aos mais próximos e menos próximos – aos colegas, amigos, familiares, vizinhos.

No ano passado, em colaboração com as autoridades, entidades sociais, representantes dos círculos empresariais foram principiadas várias iniciativas capazes de unir a gente e fazer renascer sólidos fundamentos espirituais e morais da vida social.  

As minhas viagens pela Rússia, Ucrânia e Moldova visaram desenvolver essa colaboração, bem como testemunharam a preciosa união da nossa Igreja. Essas visitas enriqueceram a minha experiência oracional e comunicativa no meio do povo crente e, espero eu, contribuíram para fortalecer laços espirituais. Nas celebrações religiosas que reuniam muitíssima gente, manifestava-se de modo especial a força da fé e da oração, o que constitui a beleza do Cristianismo Ortodoxo, a beleza e a potência da «unidade do Espírito pelo vínculo da paz» (Aos Efésios 4, 3).

Congratulando-os a todos pelo Natalício de Cristo e pelo Ano Novo, desejo-lhes oracionalmente a permanência constante na alegria em Deus que se encarnou para que «sejamos feitos herdeiros, segundo a esperança da vida eterna» (A Tito 3, 7). «Que o Deus de esperança vos encha de toda a alegria e paz na fé, para que transbordeis de esperança, pela força do Espírito Santo» (Aos Romanos 15, 13). Ámen.

KIRILL, O PATRIARCA DE MOSCOVO E DE TODA A RÚSSIA

Natalício de Cristo,

2011/2012

Moscovo

10.ª peregrinação pedestre pelo Caminho de Santiago

De 18 a 23 de Julho, decorreu a 10.ª peregrinação pedestre pelo Caminho de Santiago das comunidades cristãs ortodoxas de Portugal, com a bênção de Nestor, o bispo de Korsoun. 

Os peregrinos – cristãos ortodoxos de Lisboa, do Porto e de Moscovo – partiram da cidade de Chaves, no norte de Portugal; durante cinco dias, percorreram mais de 150 quilómetros e no Sábado, dia 23 de Julho, chegaram à cidade galega de Santiago de Compostela, onde rezaram na Catedral de Santiago, o santo apóstolo.

No caminho, os peregrinos recitavam salmos e visitavam lugares de interesse galegos.

 As peregrinações pedestres a Santiago de Compostela realizam-se pelos cristãos ortodoxos de Portugal todos os anos, na segunda quinzena de Julho.

Vale de Judeus. A visita pastoral do Bispo de Kôrsoun

Dia 20 de Junho passado, o bispo Nestor, dirigente da Diocese de Korsoun, no âmbito da sua primeira visita prelatícia a Portugal, reuniu-se com os reclusos ortodoxos do Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus (Região do Ribatejo). Nessa Penitenciária de regime fechado cumprem penas quinze oriundos da Europa do Leste – da Moldávia, Ucrânia e Azerbaijão.

Após a celebração do Te-Deum, a Sua Excelência Reverendíssima pregou aos prisioneiros uma homilía e ofereceu-lhes o ícone do São Lucas (Voino-Iassenetski), pintado na Crimeia. A seguir, durante a conversação, contou a biografia desse santo sacerdote e confessor.

O reverendíssimo bispo Nestor foi acompanhado pelo igúmeno Arsénio, o pároco da Paróquia de Todos os Santos, bem como por Vladimir Olinkin, o responsável por serviço paroquial nas prisões.

A comunidade ortodoxa dos reclusos do Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus existe há mais de um ano e está aos cuidados da nossa paróquia.

Felicitação pascal do Nestor, bispo de Korsoun

Felicitação pascal do Nestor, bispo de Korsoun
Meus bem-amados no Senhor padres, irmãos e irmãs!

CRISTO RESSUSCITOU!

Com alegria e profunda emoção dirijo a todos vós a saudação pascal. Gostaria muito de felicitar cada um de vós pessoalmente, partilhar com cada um o júbilo que nos dá o Senhor Ressuscitado – com o clero, que me é muito querido, da diocese de Korsun e das paróquias da Igreja Ortodoxa Russa em Itália, com assíduos e dedicados paroquianos de todas as nossas igrejas, espalhadas por vários países da Europa Ocidental. Bem como com todos aqueles que talvez cruzassem o limiar de um templo uma única vez por ano ou, digamos, por um acaso, nesta santa noite de Páscoa.

É que Deus nada faz por acaso, e ninguém Lhe é alheio. Todos nós temos igual valor infinito para Ele. Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho Unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (S. João 3, 16).

No ícone da Ressurreição, vemos como o Cristo Salvador retira, pela mão, o Adão do abismo das profundezas infernais. Mas o Adão somos todos nós, todo o género humano, todos os seres humanos que viveram outrora, vivem e ainda viverão na face da terra.

Assim se cumprem as palavras do Salvador: Eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim (S. João 12, 32). O nosso Senhor, que venceu a morte, levanta-nos com Ele, atrai-nos ao Seu Reino eterno, Reino que não é deste mundo (S. João 18, 36), que se encontra fora do alcance da nossa compreensão, para além do horizonte de pensamento humano.

Que é, ao mesmo tempo, tão próximo de nós, nestes dias pascais.

Quero, meus queridos, que o júbilo que nos dá o Senhor Ressuscitado ilumine sempre os caminhos das vossas vidas, ajudando a ultrapassar todas as dificuldades e obstáculos. E que ressoem sempre nos nossos corações estas palavras, eternamente vivas:

CRISTO RESSUSCITOU! EM VERDADE RESSUSCITOU!


O BISPO DE KORSOUN
Páscoa Cristã, ano 2011, Paris

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